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O teletrabalho veio para ficar – Anywhere Office

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O teletrabalho veio para ficar – Anywhere Office

Conceito e dados

Teletrabalho é trabalho à distância, prestado de modo descentralizado, fora da sede da empresa, mediante uso prevalente de equipamentos de telemática (comunicação e informação ou informática), e com jornadas flexíveis.

Portanto, qualquer trabalho prestado à distância, cujo resultado seja entregue por meio da telemática, seja ele desenvolvido em casa, em coworking, em sala alugada, em cyber café ou telecentros – para citar apenas alguns exemplos – é teletrabalho.

Home office é espécie do gênero teletrabalho, assim enquadrado sempre que as atividades forem realizadas a partir da residência de quem exerce a atividade por meio da telemática (tecnologia + informação/comunicação).

Vê-se, pois, que o conceito de home office é restrito.

Que tal o termo anywhere office?

Ou seja, trabalho prestado de qualquer lugar, na amplitude do conceito de teletrabalho, podendo assim o ser  full time quando a integralidade das atividades é prestada à distância; part-time quando somente uma parte das atividades é prestada de qualquer lugar, tais como algumas vezes por semana, ou em meio expediente; ou mesmo ocasional, quando eventualmente a prestação assim ocorre.

Os números do teletrabalho crescem globalmente, a ponto de mesmo antes do COVID-19 já representarem 10% dos trabalhadores de todo o mundo diariamente. A título exemplificativo, mais da metade dos indianos já laboravam em regime de teletrabalho, e 34% da população da Indonésia.

Nos Estados Unidos da América eram 3 milhões em 1990, passando para 10 milhões em 1997, e mais de 70 milhões de teletrabalhadores em 2018 diante do forte impulso após os atentados de 11 de setembro de 2001.[1]

No Brasil, 45% das empresas já adotavam o teletrabalho antes do COVID-19[2], representando contingente de mais de 15 milhões de teletrabalhadores.

Dada a crise de saúde causada pelo COVID-19, em meio à pandemia, vive-se a maior experiência mundial de teletrabalho, na modalidade home office.

 

Pós-COVID 19

O mundo não será mais o mesmo!

O teletrabalho em sua amplitude – permitindo o trabalho de qualquer lugar (anywhere office) – veio para ficar, na medida em que tem o condão de propiciar diversas vantagens para as empresas, os trabalhadores e a sociedade de um modo geral.

Mesmo em meio ao caos, as empresas têm sentido a maior produtividade gerada pelo trabalho à distância, dada a inexistência das mesmas interrupções da atividade presencial.

Logo será percebido de forma mais clara o quanto o empresário pode reduzir das estruturas físicas, desde a locação até o mobiliário, passando pelos gastos com transporte e chegando ao cafezinho.

Isso sem falar no uso do teletrabalho como forma de retenção de talentos e possibilidade de contratação de atividades em tempo real em qualquer lugar do mundo, dentre diversos outros benefícios.

Ao mesmo tempo em que as organizações contarão com trabalhadores mais felizes, dada a redução da perda de tempo em deslocamentos diários ao trabalho, com o que será gerada maior aproximação do núcleo familiar e melhor utilização do tempo.

A sociedade, a seu turno, reduz a queima de combustível não renovável e a geração de poluentes, assim como os gastos com acidentes de trajetos e os bilhões desperdiçados em congestionamentos diários.

Para se ter uma ideia, o custo adicional para a economia é de 62,1 bilhões só no deslocamento para o trabalho nas regiões metropolitanas[3], e o gasto do INSS com acidentes de trajeto foi de 2,3 bilhões de reais somente com o pagamento do auxílio decorrente de acidentes de trajeto casa/trabalho/casa no ano de 2013.[4]

Não se enganem, o anywhere office veio para ficar, até porque representa ferramenta para maximização de resultados e redução de gastos privados e públicos num momento em que as economias saem deterioradas.

Nessa esteira, recomendável pensar num projeto estruturado de teletrabalho, que, resumidamente contempla minimamente as seguintes etapas: 1)  criação de um comitê de implementação e gestão; 2) diagnóstico dos processos e tecnologias organizacionais; 3) criação de políticas de teletrabalho; 4) criação de políticas de segurança da informação; 5) capacitação e treinamento dos envolvidos; 6) início de um projeto piloto.

Registre-se que quando a empresa permite o uso da modalidade anywhere office, deve ter especial cuidado com as redes utilizadas, vedando o acesso por redes públicas, sob pena de expor dados e informações sigilosas.

Por sinal, os dados pessoais dos empregados devem ser objeto de cuidadosa e elaborada política de Data Compliance, haja vista que em 2021 (data controvertida) entra em vigor a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), que prevê pesadas multas, que podem chegar a 50 milhões de reais, por infração.

Enfim, nessa rápida abordagem, importante dizer que vivemos num modelo (em regra) desestruturado de teletrabalho (na modalidade home office), sem valer-se seja da amplitude do anywhere office, seja da adoção de todos os cuidados necessários para maximização de resultados e minimização de riscos.

A dica é investir na implementação de uma política de teletrabalho estruturada, com o que os frutos certamente serão colhidos por empresas, trabalhadores e a sociedade em geral.

CÉLIO PEREIRA OLIVEIRA NETO

[1] ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA. 5 Reasons remote work is most definitelt on the rise. Disponível em: <https://www.flexjobs.com/blog/post/reasons-remote-work-is-not-in-decline/>. Acesso em: 05.outubro 2019.

[2] Dados da pesquisa Home office 2018: SAP

[3] Dados do Correio da Paraíba, 07.01.2018.

[4] Conforme consta no sitio oficial da Previdencia Social. Disponível em: <http://www1.previdencia.gov.br/aeps2006/15_01_03_01.asp>. Acesso em: 23 abr. 2020.

 

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