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No Correio Braziliense: “Onda de greve na pauta”

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No Correio Braziliense: “Onda de greve na pauta”

Favorecidas pela oferta de vagas, paralisações como a dos rodoviários, em junho de 2010, podem se repetir

Se negociação por reajuste não avançar, trabalhadores dos setores público e privado prometem parar em 2011

Cristiane Bonfanti

Base do partido da presidente Dilma Rousseff, os trabalhadores estão colocando governo e empresários contra a parede. Conscientes dos bons ventos que sopram sobre o mercado – no ano passado, foram criados 2,52 milhões de empregos – e da falta de mão de obra qualificada no país, eles sabem que estão em um bom momento para negociar e, claro, tirar proveito da situação favorável. Hoje, nas celebrações do Dia do Trabalho, centrais sindicais dos setores público e privado garantem que, se empresas e autoridades não cederem à pauta de reivindicações das categorias e oferecerem melhores salários, a promessa de uma onda de greves pode se confirmar.

A orientação da Força Sindical, que tem 1,4 mil entidades associadas, é para que os trabalhadores parem as atividades caso não sejam atendidos. “Na medida em que diminui o índice de desemprego, o trabalhador perde o medo de negociar. Ele sabe que pode ir para outra empresa. Se houver endurecimento por parte dos empregadores, haverá muitas greves. Nossa recomendação é para que os empregados cruzem os braços”, orienta o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves.

Os trabalhadores estão insatisfeitos, inclusive, com o governo. Eles reclamam que nenhuma de suas últimas reivindicações foi atendida. Na última quarta-feira, dirigentes de centrais sindicais tomaram café da manhã com o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), na tentativa de colocar em pauta a proposta de emenda à Constituição que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Também pediram o fim da terceirização no setor público e a ratificação da Convenção nº 158, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que dificulta demissões sem justa causa. Mas as discussões foram adiadas para o segundo semestre.

A professora de relações trabalhistas da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-SP) Denise Delboni avalia que, hoje, o maior entrave para as negociações no Brasil é o excesso de leis. Ela comparou a relação entre empregado e patrão com a dos filhos que, quando discutem, chamam a mãe (no caso dos trabalhadores, a Justiça), porque não conseguem se entender sozinhos. “Aqui, a legislação determina tudo. Não há brecha para negociação. Os patrões contam com as leis; e os trabalhadores sabem que, quase invariavelmente, vão parar na Justiça do Trabalho. O Estado pode entrar na discussão, mas deveria fazer isso o mínimo possível”, sugere.

Denise lembra ainda que, quanto mais vagas disponíveis há no mercado, mais fácil se torna a negociação. E é justamente nessa relação que os sindicalistas depositam suas esperanças. “Na década de 1990, não conseguimos fazer greve porque tínhamos baixo crescimento econômico e menos empregos. Era um momento de resistir aos ataques aos direitos dos trabalhadores. Agora, temos espaço para avançar”, admite o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique.

Para especialistas, as negociações em torno do reajuste do salário mínimo foram o primeiro sinal de que, na atual gestão federal, as conquistas só ocorrerão após muita barganha. Apesar dos clamores dos sindicalistas por um aumento para R$ 580, Dilma Rousseff bateu o pé e limitou o piso a R$ 545. No setor público, 26 entidades sindicais dos três poderes iniciaram diálogo para negociações salariais com o governo em 13 de abril. Mas os empregados públicos federais ainda não estão satisfeitos. Caso não haja avanços na pauta de reivindicações, eles planejam uma greve conjunta para junho.

“Se preciso, vamos trabalhar para construir a paralisação”, ameaça o secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), Josemilton Costa. Para ele, neste Primeiro de Maio, no lugar de comemorar, a ordem é protestar. “O governo não demonstra vontade nenhuma de, com sinceridade, abrir uma negociação. Não queremos nos sentar à mesa para ver um processo, que, de concreto, não vai apresentar nada. E a presidente Dilma não está sinalizando pelo fortalecimento nem pelo reconhecimento do serviço público”, critica.

Fonte:Correio Braziliense.
Por Monique Renne

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